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| COOPERATIVA FACILITA CONQUISTA DA CASA PRÓPRIA |
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As cooperativas habitacionais podem ser uma alternativa para reduzir o déficit de moradias que, somente na cidade de São Paulo, é de 358 mil unidades, segundo a
Fundação Getulio Vargas. O mecanismo é utilizado no Brasil desde o início da década de 90, mas ainda causa dúvidas na população e não é reconhecido por bancos para efeito de
concessão de financiamento imobiliário.
Existe uma percepção de que há demora na entrega da obra e que o empreendimento se destina à classe baixa. O diretor de Habitação da Organização das Cooperativas do Estado
de São Paulo (Ocesp), William Kun Niscolo, contesta os argumentos. “No cenário atual, 95% das obras das cooperativas habitacionais são auto-financiadas, ou seja, contam
apenas com recursos dos próprios associados.
Então, as contribuições mensais à cooperativa não podem ser inferiores a um salário mínimo, o que inviabiliza a participação da classe baixa.
Se uma cooperativa tiva prometer algo diferente, e não contar com algum apoio do governo, desconfie”, alerta. Quanto ao prazo de entrega, o diretor adverte que a construção civil é matemática: quanto mais a cooperativa arrecada, menor é o prazo de obra; quanto menor a arrecadação, maior será o tempo de construção. O diretor da Ocesp acredita que a solução para aumentar a participação das cooperativas como instrumento para reduzir o
déficit habitacional é os bancos criarem linhas de financiamento específicas. Hoje, o crédito disponível se destina à pessoa física. As cooperativas, por serem pessoa jurídica, não podem pleitear o financiamento
bancário e nem usar os recursos do FGTS dos associados.
Um dos motivos é porque as cooperativas estão dispensadas de promover a incorporação imobiliária exigida como garantia.
O requisito usado pelos bancos para negar a liberação de recursos é encarado como vantagem pelo sistema cooperativista. “A cooperativa conse-gue lançar um empreendimento
no mercado sem a necessidade de incorporação no início da obra, o que reduz o custo”, argumenta Niscolo.
A representação estadual das cooperativas (Ocesp) e, em âmbito federal, a OCB, estão realizando
reuniões com órgãos de financiamento para apresentar as condições de operação de uma cooperativa habitacional.
O objetivo é estimular a criação de um produto voltado ao financiamento da cooperativa,
nos mesmos moldes da carta de crédito associativo, dirigida a incorporadoras. Niscolo acredita que, com o recurso disponível à vista, seria possível entregar um empreendimento com 500 unidades em
dois anos, com financiamento de 240 meses.
Em todo o estado de São Paulo, 90 mil pessoas são usuárias de 84 cooperativas habitacionais e investem no sistema cooperativista para conquistar
a moradia. Nos últimos 10 anos, aproximadamente 80 mil famílias já foram beneficiadas.
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